O GPA (Grupo Pão de Açúcar) informou nesta terça-feira (24) que há incerteza material que pode colocar em dúvida a capacidade de continuidade operacional da companhia. O alerta aparece nas notas explicativas do balanço do quarto trimestre, que trouxe prejuízo acima do esperado pelo mercado.
A varejista, quinta maior rede do setor alimentar no país, registrou em 31 de dezembro de 2025 déficit de R$ 1,2 bilhão no capital de giro líquido, reflexo sobretudo de empréstimos e debêntures com vencimento em 2026 que somam R$ 1,7 bilhão.
Segundo o balanço, apesar da melhora em indicadores operacionais e de geração recorrente positiva de caixa operacional, a companhia segue apresentando prejuízo no período.
O GPA afirma estar adotando medidas como negociações para alongar prazos de dívidas financeiras, entre outras iniciativas. A controladora das bandeiras Extra e Pão de Açúcar ressalta, porém, que ainda não há contratos firmados para a renegociação dos passivos nem para a venda de créditos tributários.
As demonstrações financeiras foram preparadas sob o pressuposto de continuidade, considerando a realização de ativos e a liquidação de passivos no curso normal dos negócios.
No quarto trimestre, o grupo teve prejuízo líquido de R$ 572 milhões, queda de 48,2% em relação ao mesmo intervalo do ano anterior, porém pior que as estimativas. De acordo com a LSEG, analistas projetavam perda líquida de R$ 134 milhões.
Antes da divulgação, o mercado já demonstrava cautela: na quinta-feira (19), as ações do GPA chegaram a recuar 9%, movimento atribuído por analistas ouvidos pela Folha à redução de posição que pressionou os papéis.
O Ebitda ajustado somou R$ 510 milhões no trimestre, alta de 2,5% na comparação anual, acima da média esperada pelo mercado, de R$ 466 milhões. A receita líquida foi de R$ 5,11 bilhões, recuo de 2% frente ao quarto trimestre de 2024.
As vendas totais do grupo, incluindo a bandeira Extra, atingiram R$ 5,6 bilhões, queda de 0,4% na comparação anual. No conceito mesmas lojas, houve alta de 2,7% no quarto trimestre de 2025.
No relatório, a empresa destacou que o mercado de alimentos seguiu com demanda mais fraca e menor impacto da inflação alimentar na maioria das categorias em relação aos trimestres anteriores.
No terceiro trimestre de 2025, o GPA concluiu a segunda etapa de simplificação da estrutura administrativa, com o corte de 700 postos de trabalho.
Em agosto do ano passado, a família mineira Coelho Diniz tornou-se a principal acionista do grupo. Apesar do sobrenome, não há relação com a família de Abilio Diniz (1936–2024), que herdou o Pão de Açúcar do pai, Valentim Diniz, e liderou o grupo até 2012.
Em janeiro, Alexandre de Jesus Santoro foi eleito CEO da companhia.
Com informações da Reuters.
