Empresas do setor portuário ouvidas pela coluna avaliam que é provável que o leilão do Tecon 10, o megaterminal do porto de Santos, não ocorra neste ano.
O Ministério de Portos e Aeroportos e o governo federal, porém, mantêm a previsão de realizar o certame ainda em 2026.
O ceticismo aumentou após as declarações mais recentes do ministro Silvio Costa Filho. Na segunda-feira (23), ele afirmou que o leilão deve acontecer em algum momento ao longo do ano e disse que se reuniria com o presidente Lula nesta quarta (25) ou na semana seguinte para fechar o cronograma do edital.
A imprecisão surpreendeu empresários. Desde o início do ano passado, Costa Filho tem apresentado datas distintas para a licitação: já mencionou outubro, novembro, dezembro e “segundo semestre” de 2025. Em 2026, citou janeiro, fevereiro, março, até 30 de abril, maio e, novamente, “ao longo do ano”.
Há também receio de um novo adiamento por se tratar de ano eleitoral para Presidência e governos estaduais. O ministério, contudo, afirma que, em princípio, as eleições não devem interferir no cronograma da concessão.
O modelo do edital é outro ponto de atrito entre o Ministério e a Casa Civil. Costa Filho defende a proposta recomendada pelo TCU: duas rodadas, com a exclusão de armadores na primeira. Já o ministro Rui Costa, da Casa Civil, era favorável a não impor restrições. Armadores asiáticos, especialmente chineses, pressionam para participar.
Costa Filho declarou ainda que buscará novo diálogo com o TCU para tentar um consenso — algo que, na avaliação de interessados, é pouco provável. A fala causou estranhamento no tribunal. Uma fonte ligada à corte disse que o ministro de Portos, que deve deixar o cargo em abril, tem exagerado nas idas e vindas.
