Vale a pena comprar Bitcoin?

Vale a pena comprar Bitcoin?

A soma do valor de mercado de todas as ações das empresas listadas na B3 gira em torno de US$ 1 trilhão.

O valor de todas as unidades de bitcoin em circulação, a criptomoeda mais negociada, supera um pouco esse montante. Ou seja, se fossem vendidos aos preços atuais, os bitcoins valeriam mais que o conjunto das grandes companhias brasileiras.

Parece muito? Vale lembrar que, no início de outubro do ano passado, o bitcoin valia o dobro. De lá para cá, seu preço desabou.

Por que vale tanto? Por que caiu desde outubro? Há uma infinidade de textos e vídeos sobre o tema, mas raramente eles oferecem boas respostas.

O bitcoin é uma moeda digital alternativa criada há pouco mais de 15 anos por uma pessoa ou grupo sob o pseudônimo Satoshi Nakamoto. Pelos horários de suas mensagens e pelo estilo de escrita, é improvável que vivesse no Japão: parecia seguir o fuso norte-americano e escrever como um britânico.

A moeda começou a circular em 2010. Naquela época, alguém pagou 10 mil bitcoins por duas pizzas, marco inicial da era das criptomoedas.

Os entusiastas acreditavam que o bitcoin e a tecnologia blockchain se tornariam amplamente utilizados e muito valiosos; os céticos previam pouco uso e baixo valor.

Hoje, 10 mil bitcoins equivalem a cerca de US$ 600 milhões, mas não são aceitos em pizzarias, padarias ou lojas. Valem muito, mas têm utilidade prática limitada.

Há quem acredite que sejam amplamente usados em atividades ilegais, mas faltam estimativas confiáveis sobre a dimensão disso.

A propriedade dos bitcoins também parece bastante concentrada: estima-se que mais de 10% estejam em menos de cem carteiras. Grandes detentores podem, em tese, influenciar o mercado.

A pergunta que mais ouço é: pequenos investidores deveriam comprar bitcoin?

Minha resposta é não.

No horizonte de décadas, é difícil imaginar o bitcoin rendendo mais do que ações de empresas, que geram lucros e pagam dividendos.

Como toda bolha, o bitcoin depende de juros baixos para prosperar. É possível termos longos períodos de juros reduzidos, mas, quando eles sobem, muitos investidores migram para títulos e outros ativos. Em algum momento, os juros sobem.

No curto prazo, tudo pode acontecer; mas, se a perspectiva de longo prazo não é favorável, é preciso muita sorte para acertar o vai e vem do mercado.

Além da perspectiva modesta, o risco de perdas é elevado: uma criptomoeda pode perder mais da metade do valor em poucos meses — e isso pode ocorrer repetidas vezes.

E não custa lembrar: sabemos muito pouco sobre esse mercado — o mesmo vale para os gurus de cripto que circulam pela internet.

Uma alternativa é investir em títulos públicos de baixo risco que pagam cerca de 7% ao ano acima da inflação. Não enriquecem ninguém da noite para o dia, mas não devemos permitir que o sonho de retornos extraordinários dite nossas decisões de investimento.

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