Nelson Tanure, a Sabesp e a XP fecharam um acordo para pôr fim à execução de garantias de uma dívida que levou à venda da Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia) no fim do ano passado.
Em petição apresentada à 1ª Vara Empresarial e de Conflitos do Foro Central de São Paulo, as partes informaram ter chegado a uma “composição amigável” para encerrar o litígio. No processo, o fundo Phoenix — que adquiriu a Emae do governo paulista em 2024 por pouco mais de R$ 1 bilhão — contestava o vencimento antecipado de dívidas que resultou na perda do controle da companhia por Tanure para a Sabesp.
Procurados, Tanure e Sabesp não comentaram. A XP também não se manifestou.
Quando o acordo foi estruturado, em 2024, o fundo Phoenix, ligado a Tanure e a Tercio Borlenghi, da Ambipar, emitiu debêntures que somavam R$ 520 milhões, em operação que contou com a XP e a Vórtx DTVM.
Os recursos seriam usados na compra da Emae, com garantias pessoais dos empresários, incluindo a alienação de ações da Ambipar. O primeiro pagamento de juros estava previsto para setembro de 2025. Em abril de 2025, porém, as partes passaram a negociar uma reestruturação do passivo para adiar o início dos pagamentos de principal e juros.
Nesse meio-tempo, em meio à crise de liquidez da Ambipar, a XP encerrou as negociações com o Phoenix e convocou assembleia de debenturistas, que declarou o vencimento antecipado da dívida, então estimada em R$ 656 milhões.
Desde então, os advogados de Tanure buscavam na Justiça reverter a execução e impedir a venda da Emae para a Sabesp, concluída em outubro.
Do ponto de vista jurídico, o caso estava praticamente decidido: Tanure havia perdido liminares na Justiça paulista e órgãos reguladores como o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e a Aneel já tinham aprovado a compra pela Sabesp — decisões tornadas definitivas no mês passado.
Embora a questão societária estivesse resolvida, permanecia o impasse financeiro: os juros sobre o saldo devedor continuavam a correr com a XP, que tinha a receber cerca de R$ 90 milhões e mantinha ações de Tanure e Borlenghi na Ambipar como garantia.
Para encerrar a disputa, Tanure desistiu das ações que movia em São Paulo e no Rio de Janeiro em troca da liberação das garantias pela XP. A informação foi publicada inicialmente pelo Pipeline e confirmada pela Folha.
A Sabesp firmou um acerto separado com o empresário, prevendo um pagamento variável atrelado ao desempenho da Emae nos próximos meses, segundo fontes próximas. O arranjo foi visto como uma “saída honrosa” para Tanure.
Destituição do conselho
Na segunda-feira (23), a Emae comunicou ao mercado a eleição de um novo conselho de administração. Para a presidência, antes ocupada por Tanure, foi escolhido Carlos Augusto Piani, atual CEO da Sabesp.
Foram ainda nomeados novos conselheiros para cadeiras anteriormente indicadas por aliados de Tanure. Da gestão anterior, permaneceram apenas dois membros: um eleito pelos detentores de ações preferenciais e outro pelos empregados da companhia.
Todas as mudanças propostas pela Sabesp foram aprovadas por unanimidade dos acionistas.
