CPI do Crime contorna a cúpula do Congresso e cria às pressas a CPI do Master

CPI do Crime contorna a cúpula do Congresso e cria às pressas a CPI do Master

Os senadores da CPI contra o Crime Organizado tentam improvisar uma “CPI do Master”, que vem sendo contida por interesses de caciques como os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Hugo Motta, entre outros. No mínimo, seria uma apuração parcial dos negócios do Master. Se avançar, pode fragilizar o acordão para enterrar o caso, que já acumula reveses. Com depoimentos e documentos relevantes, a comissão pode expor elos da corrente de silêncio —política, com conexões empresariais—, embora haja obstáculos.

Nesta quarta-feira, o colegiado aprovou a convocação de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Master; Roberto Campos Neto, que presidia o Banco Central no auge do Master e da proliferação de fintechs; Paulo Guedes, ex-ministro da Economia (2019-2022); e dois irmãos de Dias Toffoli. Também quebrou-se o sigilo bancário, telefônico e afins da Maridt —empresa em que os Toffoli eram sócios de um fundo ligado a outro fundo atribuído a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, num emaranhado de propriedade pouco claro. Com algum esforço e sorte, a CPI pode esbarrar numa testemunha explosiva ou num documento comprometedor.

O risco aumentou para a turma do acordão e demais envolvidos. A CPI é presidida pelo senador Fabiano Contarato (PT-ES), e o relator é Alessandro Vieira (MDB-SE). Ambos têm experiência policial e costumam peitar confusões. A Polícia Federal, por sua vez, parece ter recebido aval para investigar com normalidade o caso do banco de Vorcaro, por iniciativa de André Mendonça, ministro do STF que substituiu Dias Toffoli na relatoria do inquérito.

Ainda assim, a comissão pode enfrentar limites formais, como o do “fato determinado” que embasou sua criação —um ponto que, embora soe burocrático, pode servir de argumento para investigados buscarem amparo judicial contra atos da CPI.

O objetivo oficial da CPI é investigar a atuação, a expansão e o funcionamento de organizações criminosas —especialmente facções e milícias—, mapeando o modus operandi, as condições de instalação e desenvolvimento em cada região e as estruturas de decisão, para embasar soluções de combate.

De outro lado, o crime está tão articulado que, ao abrir uma porta qualquer, dá para cair num universo amplo —fantástico, porém bem real— da corrupção: vai do PCC e de negócios ilícitos de combustíveis às “vossas excelências” da política, passando por fundos administrados pela Reag e por fintechs a serviço do dinheiro sujo.

A quarta-feira também foi carregada de novidades correlatas. Além do caso Master, foram condenados os mandantes dos assassinatos de Marielle Franco e Anderson Gomes —uma quadrilha que reunia políticos e policiais grileiros, entre outros crimes—, caso destravado graças à atuação decisiva de Flávio Dino e do governo Lula 3. A PF deflagrou operação contra mais uma fintech acusada de ocultar recursos ilícitos. E a família de políticos Coelho foi alvo de buscas por suspeita de desvio de emendas. O quadro segue pesado.

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