As eleições presidenciais ainda não têm impacto relevante nos preços dos ativos no Brasil, afirmou nesta quarta-feira (25) André Esteves, presidente do conselho e sócio sênior do BTG Pactual, durante o BTG Summit. Para ele, a disputa tende a ficar equilibrada entre Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Segundo Esteves, apesar de o tema mobilizar a opinião pública, o mercado doméstico praticamente não tem precificado o cenário eleitoral. Ele avalia que Flávio Bolsonaro é hoje o principal nome da direita e tem chances reais de vitória, assim como Lula tem possibilidade concreta de reeleição — um embate que, em sua visão, deve permanecer apertado até a reta final.
O banqueiro disse ainda que, embora pesquisas apontem que a sociedade brasileira esteja mais à direita — citando levantamento conduzido por Felipe Nunes, da Quaest —, a presença de Lula equilibra a disputa, deixando-a próxima a um “meio a meio”.
Para Esteves, a alta recente da Bolsa no Brasil decorre sobretudo da rotação global de carteiras, com investidores reduzindo a exposição aos Estados Unidos. Ele mencionou que a participação de ativos americanos nos portfólios atingiu um pico no fim do ano passado e citou também o uso do dólar como instrumento geopolítico por Donald Trump, o que teria contribuído para a perda de valor da moeda. Nesse movimento, a realocação favorece emergentes, e a Bolsa brasileira, apesar da valorização, seguiria barata frente a pares internacionais.
Esteves relatou ainda ter se reunido recentemente com o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, que teria manifestado apoio à possibilidade de um acordo comercial entre Brasil e Estados Unidos — algo que, na avaliação do banqueiro, seria extremamente benéfico para o país, transformando as tensões tarifárias em uma grande oportunidade.
Ele enxerga uma visão estratégica mais positiva dos Estados Unidos em relação ao Brasil e defende que o país aproveite o momento para aprofundar e expandir as relações bilaterais.
