Paramount eleva oferta para adquirir a Warner e propõe arcar com a multa de rescisão com a Netflix

Paramount eleva oferta para adquirir a Warner e propõe arcar com a multa de rescisão com a Netflix

A Warner Bros. Discovery informou nesta terça-feira (24) que a Paramount elevou sua proposta de US$ 30 para US$ 31 por ação, movimento que pode configurar uma “oferta superior” ao acordo firmado com a Netflix e abrir espaço para novas negociações.

Em dezembro, o conselho da Warner anunciou a venda dos estúdios de cinema e de toda a plataforma HBO para a Netflix por US$ 82,7 bilhões, rejeitando uma oferta da Paramount de US$ 108 bilhões para comprar a companhia inteira.

A Paramount, porém, insistiu e levou a proposta diretamente aos acionistas — uma oferta hostil. Fez ajustes nos termos, mas manteve o preço em US$ 30 por ação até esta semana.

Sob pressão de investidores, a Warner reabriu conversas com a Paramount na semana passada e deu prazo até segunda-feira (23) para a melhor e última proposta.

Agora, a Warner afirma que seguirá negociando com a Paramount. Se concluir que a nova oferta é de fato superior à da Netflix, dará à Netflix quatro dias para apresentar uma contraproposta, como previsto em contrato.

Em comunicado, a companhia ressaltou que não há garantia de que o conselho considerará a proposta da Paramount superior ao acordo atual com a Netflix.

O contrato de fusão com a Netflix continua valendo, e o conselho mantém sua recomendação favorável à transação. A Warner convocou os acionistas para votar o acordo com a Netflix em 20 de março.

Pelos novos termos, a Paramount pagaria uma taxa de espera de US$ 0,25 por ação por trimestre caso o fechamento não ocorra até 30 de setembro, além de uma multa de rescisão de US$ 7 bilhões se o negócio fracassar por barreiras regulatórias.

A Paramount também se comprometeu a cobrir a multa de US$ 2,8 bilhões devida à Netflix se a Warner romper o acordo atual, a injetar mais dinheiro caso credores exijam e a retirar a cláusula que permitia desistência caso o negócio de TV a cabo da Warner Bros. Discovery tivesse desempenho aquém do esperado.

“A Paramount acolhe a determinação do conselho da WBD e espera seguir engajando de forma construtiva para entregar os benefícios de sua proposta aos acionistas, à comunidade criativa e aos consumidores”, disse a empresa.

O anúncio pode inaugurar um novo capítulo de uma disputa acirrada entre duas rivais de mídia. A Netflix tem caixa para melhorar sua oferta, embora haja preocupações entre seus acionistas sobre a compra de uma grande parte da Warner. As ações da Netflix — em queda de mais de 14% no ano — subiram pouco mais de 1% no after-market desta terça-feira.

Para os acionistas da Warner, a escolha entre Netflix e Paramount pode ir além do valor nominal: conta também qual negócio tem maior chance de aprovação e conclusão.

No campo regulatório, a política entrou em foco diante do interesse do presidente dos EUA, Donald Trump, em fusões de mídia. Embora vago sobre eventual intervenção em análise antitruste do Departamento de Justiça (DoJ), Trump se reuniu nos últimos meses com os CEOs de Paramount e Netflix.

Larry Ellison, pai de David Ellison (CEO da Paramount), é próximo de Trump. Ele apoiou a compra da Paramount pelo filho e a tentativa de acordo com a Warner. No ano passado, a Paramount encerrou um processo de US$ 16 milhões com Trump enquanto aguardava aval regulatório para a venda à Skydance de David Ellison. No sábado, Trump pediu que a Netflix removesse Susan Rice do conselho; ela ocupou cargos de alto escalão em governos democratas.

“Ele gosta de fazer muitas coisas nas redes sociais”, disse Ted Sarandos, co-CEO da Netflix, ao programa Today da BBC na segunda-feira, ao comentar a postagem de Trump. “Este é um acordo comercial, não político. O processo é conduzido pelo Departamento de Justiça nos EUA e por reguladores na Europa e no restante do mundo.”

Ainda assim, o timing do comentário — às vésperas do prazo para a nova oferta da Paramount — levantou dúvidas em Wall Street sobre possível preferência de Trump. Sarandos pretende ir a Washington nesta semana para encontros com autoridades da Casa Branca e outros, segundo fontes. Na noite de terça, David Ellison foi convidado do senador Lindsey Graham (republicano da Carolina do Sul) no discurso do Estado da União de Trump.

Especialistas em antitruste questionam se qualquer proposta conseguiria aprovação nos EUA e no exterior, embora a da Paramount pareça mais adiantada. A empresa pediu análise antitruste logo após anunciar a oferta hostil e disse ter alcançado um marco importante rumo à liberação do DoJ — que ainda pode acionar a Justiça para barrar o negócio.

No exame do acordo com a Netflix, o DoJ tem consultado concorrentes sobre o risco de monopólio, sinalizando possível caso antitruste abrangente.

Em nota na segunda-feira, David Hyman, diretor jurídico da Netflix, afirmou que a empresa opera em um mercado “extremamente competitivo” e que está pronta para cooperar com reguladores em quaisquer questões.


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