O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou nesta quarta-feira (25) que, para alguns países, a tarifa de importação poderá superar os 15% prometidos por Donald Trump, sem mencionar parceiros específicos nem fornecer detalhes adicionais.
Em entrevista ao programa “Mornings with Maria”, da Fox Business Network, Greer disse que o governo não pretende elevar as tarifas sobre produtos chineses além dos níveis atuais, em um momento em que Trump deve viajar à China nas próximas semanas.
Segundo ele, a alíquota hoje é de 10%, com previsão de subir a 15% em determinados casos e, eventualmente, ir além disso para outros países — movimento que, em sua avaliação, é consistente com o padrão recente de tarifas.
Greer descreveu como compatível com os acordos comerciais vigentes o plano de substituir as tarifas de emergência derrubadas pela Suprema Corte por novas medidas, incluindo sobretaxas temporárias com base na Seção 122 da Lei de Comércio de 1974, que passaram a valer na terça-feira (24) com alíquota de 10%.
Ele afirmou que as investigações sobre práticas comerciais desleais amparadas na Seção 301 da mesma lei serão o foco do esforço de substituição, mirando países que ampliam capacidade industrial de forma excessiva, utilizam trabalho forçado em cadeias produtivas, discriminam empresas de tecnologia dos EUA ou concedem subsídios a arroz, frutos do mar e outros itens.
Greer acrescentou que ele e o secretário do Tesouro, Scott Bessent, vêm levantando repetidamente a questão do excesso de capacidade com autoridades chinesas, observando que empresas deficitárias no país continuam operando graças ao apoio do governo.
Na avaliação de Greer, a China não resolverá integralmente esse desequilíbrio, motivo pelo qual defende a aplicação de tarifas também sobre o Vietnã e outras nações com problemas semelhantes.
Questionado sobre a possibilidade de novas altas sobre bens chineses, o que poderia abalar uma trégua comercial delicada, ele afirmou que não há intenção de ir além das taxas atualmente em vigor e que a meta é cumprir o acordo existente com Pequim.
Greer disse ainda que as investigações da Seção 301 devem servir como mecanismo de fiscalização dos acordos fechados nos últimos meses, incluindo o firmado com a Indonésia, que aceitou uma tarifa de 19% dos EUA e concordou em abrir mais seu mercado a produtos norte-americanos.
Segundo ele, o Escritório do Representante Comercial dos EUA abrirá uma investigação da Seção 301 sobre as práticas da Indonésia para avaliar a capacidade industrial e os subsídios à pesca, comparando as constatações com as medidas adotadas por Jacarta para atender às preocupações dos EUA e com os compromissos assumidos no acordo. Com base nisso, será tomada a decisão sobre o tipo de tarifa a aplicar, com a intenção de manter a linha de continuidade dos entendimentos recentes.
Greer concluiu dizendo que o governo Trump continuará as investigações de segurança nacional voltadas à proteção de setores estratégicos, com tarifas previstas na Seção 232 da Lei de Comércio de 1962, e que o Departamento de Comércio está “trabalhando intensamente” nessas frentes.
