Bolsa cai fortemente e Dólar permanece estável após inflação acima do esperado

Bolsa cai fortemente e Dólar permanece estável após inflação acima do esperado

O dólar reverteu os ganhos da manhã desta sexta-feira (27) e fechou praticamente estável, com uma leve queda de 0,1%, cotado a R$ 5,133.

A moeda norte-americana teve um dia volátil devido à formação da Ptax de fim de mês. Durante a sessão, chegou a valer R$ 5,170 no pico e R$ 5,123 no menor valor. A Ptax é calculada pelo Banco Central com base nas cotações do mercado à vista e serve como referência para contratos futuros. No final de cada mês, agentes financeiros tentam influenciar essa taxa para níveis mais favoráveis às suas posições.

O mercado também foi impactado por dados de inflação do Brasil superiores ao esperado. A Bolsa de Valores iniciou o pregão em queda e fechou com perdas de 1,18%, a 188.835 pontos (dados preliminares).

Em fevereiro, o dólar acumulou queda de 2% e, no ano, de 6%. A Bolsa, por sua vez, subiu 4% no mês e 17% desde o início de 2025.

A inflação medida pelo IPCA-15 subiu 0,84% em fevereiro, pressionada principalmente por mensalidades escolares e passagens aéreas. O resultado, divulgado pelo IBGE, ficou acima da expectativa média do mercado, que era de alta de 0,57%. Isso representou uma aceleração frente ao 0,2% de janeiro.

No acumulado em 12 meses, porém, o índice desacelerou para 4,1% (ante 4,5% até janeiro). Essa desaceleração ocorre porque a forte alta de fevereiro de 2023 (1,23%) saiu da conta, sendo substituída pela alta menor deste ano (0,84%).

O dado foi analisado pelos investidores no contexto das decisões futuras do Copom (Comitê de Política Monetária) do BC sobre a taxa Selic, hoje em 15% ao ano. O comitê já sinalizou um corte para a próxima reunião, em março. Até esta manhã, a aposta majoritária era por uma redução de 0,50 ponto percentual, mas o IPCA-15 forte fez o mercado de renda fixa ajustar essas expectativas, com as taxas de DI subindo.

Para André Valério, economista sênior do Inter, a leitura do índice é negativa, mas bastante influenciada por fatores sazonais. Ele afirma que o processo de desinflação persiste e não espera que o resultado altere significativamente a decisão do Copom em março, mantendo a expectativa de um corte de 0,50 ponto, porém com um discurso cauteloso. Ele também destacou que a manutenção do real em níveis valorizados (em torno de R$ 5,15) trará tranquilidade para o início do ciclo de cortes.

O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos continua sendo um dos fatores que atrai investimentos para o país, ajudando a manter o dólar em patamares mais baixos nos últimos meses.

No lado corporativo, o Bradesco foi destaque ao anunciar a unificação de seus negócios de saúde em um único conglomerado, a Bradsaúde, que será listada no Novo Mercado da B3. A holding terá, com base em dados de 2025, receita de R$ 52 bilhões, lucro de R$ 3,6 bilhões e atenderá 13 milhões de usuários. O Bradesco estima que a nova empresa possa valer entre R$ 40 bilhões e R$ 50 bilhões.

Após subirem 3% no início do dia, as ações ordinárias e preferenciais do Bradesco fecharam em alta modesta de 0,65% e 0,9%, respectivamente. A Odontoprev, uma das empresas que fará parte do grupo, saltou 13%.

Felipe Cima, analista da Manchester Investimentos, avaliou que o dia foi “mais pesado” na Bolsa, atribuindo isso ao IPCA-15 acima do esperado, que causou estresse na curva de juros. Mesmo assim, ele considera praticamente certo que o primeiro corte da Selic em março será de 0,50 ponto percentual.


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