Ceron já prepara sucessão no Tesouro como número dois da Fazenda

Ceron já prepara sucessão no Tesouro como número dois da Fazenda

Cotado como próximo número dois do Ministério da Fazenda, o atual secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, já prepara sua sucessão no órgão, responsável pela gestão diária das contas públicas e do endividamento da União.

Ele deve assumir a secretaria-executiva no lugar de Dario Durigan, que deve ser nomeado ministro após a saída de Fernando Haddad. O atual chefe da equipe econômica já avisou que deixará a pasta em breve e sinalizou a aliados que pode se candidatar ao Governo de São Paulo.

Segundo interlocutores, o principal cotado para assumir o Tesouro é o atual subsecretário da Dívida Pública, Daniel Leal. Ele é servidor de carreira do órgão desde 2014 e já atuou em diferentes áreas responsáveis pela gestão da dívida pública. Também passou pelo mercado financeiro e, desde janeiro de 2025, ocupa o atual posto de subsecretário.

De acordo com duas pessoas ouvidas pela reportagem, Leal já foi inclusive indicado para substituir Ceron no conselho de administração da Caixa Econômica Federal, onde a Fazenda indica seis representantes —habitualmente, o secretário do Tesouro Nacional é um deles, muitas vezes exercendo a presidência do colegiado, como é o caso hoje.

Na visão de interlocutores do mercado, o principal desafio do novo secretário será “reforçar o time dos goleiros”, ou seja, defender os cofres públicos de investidas do mundo político para elevar gastos. Essa preocupação é crescente num momento em que sondagens indicam uma vantagem menor do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ante seus adversários.

Técnicos da Fazenda já dão como certa a nomeação de Durigan como ministro após a saída de Haddad. Considerado uma espécie de CEO do ministério, é ele quem já toca boa parte das tarefas do dia a dia.

O atual secretário é um dos principais articuladores políticos do Ministério da Fazenda e construiu contato direto com parlamentares e com o Palácio do Planalto na discussão da agenda econômica no Congresso, principalmente nos temas fiscais. Ele também tem a confiança de Lula e por vezes despacha direto com o presidente.

A ascensão de Ceron também é tida como a mais provável. O secretário trabalhou com Haddad e o próprio Durigan na Prefeitura de São Paulo e foi um dos primeiros nomes anunciados para compor a equipe da Fazenda na atual gestão.

Ele é considerado um nome de confiança dentro do governo, embora tenha mantido uma relação de altos e baixos com o corpo técnico do Tesouro.

Na visão de auditores do órgão, Ceron adotou um estilo de gestão bem mais centralizador do que seus antecessores. O contato é maior com os subsecretários, seus auxiliares diretos, e bem menor com os coordenadores-gerais, que estão um degrau abaixo na hierarquia da instituição, mas cumprem um papel relevante na gestão dos temas do órgão.

Publicamente, Ceron tem evitado se manifestar sobre a possível mudança. No fim de janeiro, durante entrevista coletiva, ele disse apenas estar à disposição do governo.

“O ministro tem falado da saída dele. Da nossa parte, somos um grande time. Sou muito feliz pelo trabalho que fiz no Tesouro Nacional. Estou à disposição para continuar ajudando, seja no Tesouro, seja na posição que o presidente e o ministro da Fazenda decidirem, mas é uma decisão que cabe a eles”, afirmou.

Haddad já disse que pretende sair da Fazenda em breve. Foi ele quem sugeriu o nome de Durigan para sucedê-lo. “Gosto de promover as pessoas que trabalham comigo. São pessoas da mais alta qualidade técnica e do mais alto compromisso com o país”, disse Haddad em café com jornalistas no fim do ano passado —sem, no entanto, confirmar diretamente a indicação de Durigan.

O ministro chegou a afirmar que sua exoneração se daria “no mais tardar em fevereiro”, mas sua permanência pode se estender por um pouco mais de tempo, dada a possibilidade de que ele acompanhe o presidente Lula em viagem aos Estados Unidos.

De qualquer forma, ele precisa se desincompatibilizar até o início de abril para concorrer a cargo eletivo. Como mostrou a Folha, Haddad indicou a aliados nos últimos dias que pode disputar o Governo de São Paulo.

Lula disse a políticos próximos na quarta-feira (25) que a candidatura do ministro da Fazenda estava se encaminhando. O presidente do PT, Edinho Silva, também tem dado como certo o nome de Haddad na disputa pelo governo paulista em conversas reservadas.

Segundo relatos colhidos pela Folha, após uma conversa com o ministro, Edinho disse a aliados que ele está disposto a concorrer.

Na noite desta quinta-feira (26), Haddad disse a jornalistas na porta do Ministério da Fazenda que não conversou com ninguém do PT sobre o assunto e que as discussões com Lula até o momento foram inconclusivas.

Lula tem pressionado o auxiliar a sair candidato ao governo, mas Haddad resistia pelo receio de perder o pleito e terminar sua carreira política com uma derrota. A aparente ascensão de Flávio Bolsonaro (PL) em pesquisas de opinião, no entanto, tem levado o ministro a repensar a própria escolha.


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