Trump ameaça cortar contratos com a Anthropic após impasse sobre IA militar

Trump ameaça cortar contratos com a Anthropic após impasse sobre IA militar

Um confronto entre o Departamento de Defesa dos Estados Unidos e a startup de inteligência artificial Anthropic expôs divergências sobre o uso militar irrestrito de sistemas avançados de IA e mobilizou funcionários de grandes empresas de tecnologia.

No centro da disputa está a recusa da empresa, dona do chatbot Claude, em flexibilizar regras que limitam aplicações em armas autônomas letais e vigilância doméstica em massa, uma condição apontada como essencial pelo Pentágono para manter e ampliar contratos.

O impasse se intensificou após o CEO da Anthropic, Dario Amodei, rejeitar nesta quinta-feira (26) o que descreveu como a “oferta final” do governo para a continuidade do fornecimento de seus modelos mais avançados às Forças Armadas. O prazo para a oferta expirou às 19h01 (horário de Brasília) desta sexta-feira (27).

Pouco antes do prazo, o ex-presidente Donald Trump anunciou que deu à Anthropic seis meses até ser excluída dos contratos governamentais, afirmando que a startup cometeu um “erro desastroso” ao desafiar o Pentágono. Ele declarou em sua rede social Truth Social que não permitirá que uma “empresa woke e radicalmente de esquerda” dite como o exército luta, mas permitiu um período de transição de seis meses para evitar prejudicar operações militares.

O Claude é o único modelo de IA atualmente implantado em operações classificadas, tendo sido usado na captura do líder venezuelano Nicolás Maduro no mês passado. Um funcionário do governo disse ao Financial Times que ele continua sendo o melhor modelo para uso militar.

Amodei afirmou que aceitar os termos do Pentágono significaria enfraquecer princípios éticos fundamentais da empresa, que impedem usos como vigilância em massa ou sistemas autônomos ofensivos sem supervisão adequada.

Em resposta, Emil Michael, subsecretário de Defesa para Pesquisa e Engenharia, inicialmente chamou Amodei de mentiroso, mas depois adotou um tom mais conciliador, oferecendo mais conversas.

A ação de Trump serviu como um alerta para outras empresas de IA, como OpenAI, Google e xAI, sobre a disposição do governo em pressioná-las. A crise provocou reação no Vale do Silício, com funcionários da Amazon, Google e Microsoft enviando uma carta aberta pedindo que suas empresas apoiem a Anthropic e rejeitem contratos envolvendo armas autônomas ou monitoramento em larga escala.

A carta, endossada por sindicatos e coletivos de funcionários e assinada por mais de 270 pessoas, defende a manutenção de “últimas barreiras” claras para o uso militar da IA.

Internamente, o debate divide lideranças do setor. Enquanto o CEO da OpenAI, Sam Altman, tenta intermediar um entendimento, o diretor científico do Google DeepMind, Jeff Dean, reiterou seu compromisso contra armas autônomas letais. Por outro lado, executivos como Mark Chen, da OpenAI, afirmaram que a empresa não descarta contratos com o Departamento de Defesa, mas mantém discussões sobre limites aceitáveis.

O desfecho das negociações poderá redefinir os parâmetros da colaboração entre a indústria de tecnologia e o aparato de defesa dos EUA.

Com informações do Financial Times e do The New York Times


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